quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Envelhecer

Hoje tenho apenas 28 anos de idade, mas sinceramente, desejo muito o dia em que vou me olhar no espelho e ver que tenho cabelos brancos e rugas na face.
Isso será muito bom, desde que eu tenha muitas recordações agradáveis de viagens e aventuras com meus amigos para contar, como o acampamento nas montanhas com rapel, trilha e tirolesa.Ou até a viagem louca de seis rapazes dentro de um corsa velho saindo do interior de Pernambuco e cruzando o estado do Ceará, conhecendo quatorze cidades em apenas quinze dias! Ah que viagem...
Ficará ainda melhor, se eu olhar para trás e ter a certeza de que não tirei a vida de ninguém, nem deixei ninguém morrer sem antes pedir perdão pelas mágoas que causei, mesmo sabendo que morrerei e deixarei alguns pobres coitados me odiando.
Será maravilhoso se, quando este dia chegar , eu ver minha biblioteca repleta de livros que deixarei para meus filhos e netos, se eu lembrar de pelo menos quatro das línguas estrangeiras que aprendi na juventude. Ah, e claro, se eu tiver ânimo para aprender alguma língua morta só para deixar o cérebro vivo.
Tudo vai beirar a perfeição se, quando este dia chegar, eu me der conta de que sou velho, mas com espírito jovem, que deixarei muitas recordações e ensinamentos da minha "rápida" passagem pelo mundo, mas que, nos dias que me restam, ainda irei aprontar muito pois sou incansável e desejo deixar algo mais.
Só depois fecharei meus olhos. Os da face, não os do espírito.






segunda-feira, 22 de junho de 2009

Mais é menos

Sabemos cada vez menos, sobre cada vez mais.

Parecem contraditórias as minhas palavras, mas se pararmos para pensar, elas denunciam um mal que rodeia a sociedade atual e poucos se dão conta disso. Esse mal é que somos a sociedade da informação.

Todos os dias somos "atropelados" por notícias e desvalorizados por novidades. Quanto mais estudamos menos sabemos e nosso conhecimento real fica cada dia mais superficial.

Não quero dizer que precisamos voltar no tempo e viver de erudição, mas sim nos permitir a ignorância. Não é vergonhoso desconhecer a nova moda em paris (exceto para quem vive de moda,claro.), nem mesmo não saber quem são os grandes astros da atualidade em Hollywood (Agradeço que não saibam!), e pra quê saber quem é o atual presidente do Azerbaijão????
Parece piada, mas muita gente sofre de verdade com isso, e faz tempo.
Em 2001, por exemplo, a revista veja publicou um artigo intitulado A Dor de Nunca Saber o Bastante, falando sobre o tema. Garanto que muita gente leu, mas estou certo de que quase todas já se esqueceram dos exemplos e ensinamentos dados na reportagem e voltaram a sofrer com a excessiva ansiedade por conhecimento.Eu sou uma dessas pessoas, por isso posso tratar deste assunto sem nenhuma barreira.
Fiquei receoso em tocar neste assunto, por dois motivos: o primeiro e mais óbvio é que imaginei que todos já devem ter lido o artigo citado acima, e o segundo, foi o medo de identificar sintomas em minha própria vida. Porém, faço aqui um desafio: Quero saber de todos vocês quem não sofre desta compulsão por informação? Quem consegue selecionar aquilo do que saber?Quem nunca acenou positivamente enquanto alguém falava sobre algo que não era do seu conhecimento, só para não parecer desinformado?

Infelizmente, esse mal passa despercebido, assim com ser um viciado em trabalho também é uma doença aceita pela sociedade do consumismo. Não se fala no assunto, não se vê especialistas em educação preocupados em orientar os estudantes sobre essa febre que toma conta do mundo.E quanto mais o tempo passa, mais percebo que, ou nos entregamos a essa "enfermidade social", ou teremos mais um motivo para sermos excluídos.
É melhor parar por aqui, isso é apenas uma rápida discussão que considero importante. Não posso, e nem tenho a pretensão de encher suas cabeças com mais informação. Isso nós já temos demais...

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Conversando com uma amiga holandesa, e ouvindo-a contar suas decepções profissionais e desejo de jogar tudo pra cima, me inspirei.Decidi reescrever algo que já tinha feito há alguns anos,e hoje me serve de grande exemplo.Foi real...

-Eugênio,chegou um fax pra você!
(...)
Tic-tac-tic-tac-tic-tac... A secretária passeia de um lado para o outro falando alto.A Impressora,que é multifuncional, trabalha sem parar, e parece gritar,pedindo que a deixem descansar por um minuto que seja,pois já está de cabeça quente com tanto papel.
-Quem pediu esta impressão?Termina logo que eu preciso xerocar um documento urgente!!!!!O telefone toca, alguém reclama com seu subordinado......Tic-tac-tic-tac-tic-tac...chega um motoboy com entrega de algum cliente,alguém diz que precisa ir ao banco e vai demorar.A secretária passeia de um lado para o outro falando alto.As folhas de fax que vão chegando já tocam no chão,e ninguém vai lá pegar.
(...)
Triiiiiiiiiimmmmmmmm !!!!!!!!!!!-Hello, Eugênio?-Yeah, hi man! How are you doing?-I'm ok, what about my reports?
(...)
Depois de terminada a conversa e resolvido o problema com meu cliente alemão,baixei a cabeça que já doía,faltando ainda 3 horas de tic-tacs para que eu fosse para casa.Levantei-me para admirar a paisagem e,na janela daquele primeiro andar,respirar outros ares.Olhei para um lado,um bosque- uma bela indústria têxtil abandonada,cheia de mato em volta- não serviu de inspiração.Olhei para o outro lado,motéis,e uma estrada que vai dar "sei-lá-onde". Fiquei cabisbaixo de novo.Pra quê? Não vi sequer um formigueiro,apenas carros passando de um lado para o outro...Tic-tac-tic-tac-tic-tac...Vou retornar ao meu minimundo,sentar em meu cubículo e esperar os Tic-tacs passarem.Quem sabe as coisas melhoraram lá dentro!!!!
(...)
Tic-tac-tic-tac-tic-tac... A secretária passeia de um lado para o outro falando alto.A Impressora,que é multifuncional, trabalha sem parar, e parece gritar pedindo que a deixem descansar por um minuto que seja,pois já está de cabeça quente com tanto papel.
E eu?
(...)

segunda-feira, 1 de junho de 2009

"Eu me Livro"


"Cada vez que um livro troca de mãos,cada vez que alguém passa os olhos pelas suas páginas,seu espírito cresce e a pessoa se fortalece" - A Sombra do Vento

Confesso,sou apaixonado por livros.Não poderia começar nossa conversa sem antes deixar isso bem claro.
É fascinante a inquietude que me causam as páginas passadas e as que ainda passarão diante dos meus olhos.Misturo-me com a estória, e permito que meu espírito alce vôos imaginários, por onde somente ele pode passar,para que eu me desprenda de pensamentos vãos nos momentos de ócio, e goze de uma liberdade temporária que me faz muita falta. Inspirado neste poder de nos fazer outros em nós mesmos, eu intitulei esse texto .

"Após dez noites de redação, Munique tornou a ser bombardeada. Liesel havia chegado à página 102 e estava dormindo no porão. Não ouviu o cuco nem as sirenes, e dormia abraçada ao livro quando o pai foi acordá-la. "Venha, Liesel." Ela pegou A Menina que Roubava Livros e cada um de seus outros livros, e os dois foram buscar Frau Holtzapfel (...)" - A Menina que Roubava Livros

É uma verdade redundante:Se perco o sono, leio, se leio perco o sono...

"(...) Poucas coisas marcam tanto a vida do leitor como o primeiro livro que realmente abre caminho ao seu coração. As primeiras imagens,o eco dessas palavras que pensamos ter deixado para trás,nos acompanham por toda vida e esculpem um palácio em nossa memória ao qual mais cedo ou mais tarde- não importa os livros que leiamos,os mundos que descubramos,o quanto aprendamos ou nos esqueçamos- iremos retornar." - A Sombra do Vento

Lembro-me do dia em que um colega de trabalho me emprestou o livro Budapeste, de Chico Buarque. Até então,eu era apenas um jovem que lia livros,mas quando comecei a leitura desse romance, tornei-me leitor. Fiquei atônito,o enredo do livro era exatamente o que eu vivia naqueles dias! Estudava húngaro,e recebera um convite irrecusável para fazer uma viagem àquele país,pois alí,uma húngara me esperava. A Viagem não aconteceu,pelo menos não a real, mas com minha imaginação pude reviver tantos diálogos que pareciam se repetir nas páginas do livro, e pisar em terreno estrangeiro, mesmo estando deitado em minha cama.
Bom, que ninguém se espante então,se eu disser que lí esse livro 4 vezes...

"Ler em voz alta, tomar uma chuveirada, amar e ficar um pouco mais juntos-este tornou-se o ritual de nossos encontros" - O Leitor

Não,não sou um louco perdido em devaneios e palavras sem nexo,nem sou mais um Don Quixote tentando realizar o que é imaginário. Apenas quero, às vezes, imaginar outra realidade.
Sou louco por livros e pela arte de ler e, em me perdendo na leitura,encontro um lugar seguro,um chão firme onde minha louca razão é reconhecida e válida.

“Foi nos livros que Liesel viu a oportunidade de fugir daquilo tudo que a perseguia. Ela esquecia do irmão morto com um olho aberto, no chão do vagão do trem.” - A Menina que Roubava Livros

Sorte de quem consegue entender a magia dos livros...